Estados Unidos e Irão estão de acordo num dos aspectos da divergência nuclear a reunião de hoje, em Viena, do Conselho de Governantes da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) levará o caso para o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas. É essa a ambição dos norte-americanos, que os iranianos dizem não desejar, para o bem do Ocidente.
« Se o assunto for levado ao CS, as outras partes terão muitos problemas» , disse Ali Lariyani. O secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano deixou perceber a ameaça de enriquecer urânio em grande escala, noticia a BBC. Levar o caso ao CS « não fará o Irão recuar na investigação nuclear para fins pacíficos» , vincou Lariyani.
Produção iniciada
Teerão sublinha que a decisão de prosseguir com a investigação nuclear « é firme e definitiva» . Ontem, Lariyani deixou perceber que pode usar o ouro negro para retaliar. « Não temos qualquer interesse em utilizar o petróleo como arma, porque respeitamos a segurança psicológica da comunidade internacional. Naturalmente, que, se a comunidade mudar a situação, isso afectará automaticamente a nossa posição» .
Para os EUA, a reunião da AIEA permitirá « avaliar o progresso, ou retrocesso, do Irão para responder às exigências formuladas pelo Conselho na reunião de 4 de Fevereiro» . Na ocasião, foi exigida a Teerão a suspensão de todas as actividades de pesquisa nuclear, depois de ter sido constatado, em Setembro passado, que o Irão « não estava em conformidade» com as obrigações decorrentes de país signatário do Tratado de Não Proliferação.
Em Viena, o Conselho vai analisar um relatório do secretário-geral da AIEA, Mohamed El Baradei. O documento, cujo teor já vazou para a imprensa, diz que Teerão já iniciou a circulação de gás de urânio, o que é considerado o primeiro passo para produzir combustível para reactores nucleares ou para fabricar bombas atómicas.
Sanções difíceis de impor
A reunião de Viena foi precedida de um encontro solicitado por Teerão, na sexta-feira. Então, Reino Unido, Alemanha e França tentaram mediar a questão, procurando evitar que se dê o que parece inevitável a AIEA vai passar o dossiê para o Conselho de Segurança da ONU. E o mais provável, é que o CS sugira sanções ao Irão, que passarão por um boicote às importações de gás e petróleo, as principais fontes de receita do Irão. Outra das sanções poderia passar por um congelamento da candidatura de Teerão à Organização Mundial de Comércio. No entanto, só por unanimidade o CS pode seguir o caminho das sanções. A China, com direito de veto, assinou recentemente um acordo de venda de gás e petróleo de cerca de 60 mil milhões de euros, e, a par da Índia, já fez perceber que é contra esse tipo de medidas.