
(Via Caceteiro)
« Caros Camaradas! Hoje venho falar-vos acerca de um assunto de EXTREMA importância! Temos de pôr de lado as nossas diferenças e começar a trabalhar em conjunto!» ZZZ…RONC…ZZZ…RONC…
Já repararam que quando os comentadores da nossa praça não têm nada para dizer, puxam um texto destes?
Embora eu não costume andar a reboque da agenda de outros, este tema da « unidade» tem surgido com uma certa frequência e como é um tema importante, não resisto a dar a minha cacetada.
Desde já faço aqui um acto de contrição: no passado eu fui um dos que acreditava na unidade, posto isto vamos ao que interessa.
Tendo como base o rescaldo das eleições espanholas em que os partidos ditos « nacionalistas» eram aos montes e tiveram percentagens ridÃculas, aqui nestas bandas levantaram-se algumas vozes apelando à unidade. Louvando as boas intenções de alguns, devo dizer que de boas intenções está o inferno cheio.
« É mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa!»
Está bem, então o que é que nos une?
« Somos nacionalistas!»
Será mesmo assim? Se somos nacionalistas (deixo para uma próxima ocasião um texto sobre os conceitos de Nação e Nacionalismo), então qual é a nossa Nação? Portugal? Europa? Vamos do Minho a Timor? Ou dos Açores a Vladivostok? Queremos a Portugaliza ou a Eurosibéria? Que modelo? Que instituições? Alguns até já são só patriotas…
« Somos contra o sistema!»
Pois, pois. Realmente existem alguns que até são contra o sistema, mas que logo a seguir traem a verdade só para ganhar meia dúzia de votos ou então que até já se proclamam « moderados e democráticos» e no entanto querem que nos aliemos a esta ralé.
« Aaah, queremos uma alternativa ao marxismo e ao capitalismo!»
Também eu, mas que alternativa é que nos une? Nacionalizamos ou privatizamos? Queremos reduzir o Estado à sua expressão mÃnima como papagueiam alguns ou alinhamos pelo Mussolini e dizemos « nada fora do Estado» ? Deixamos a iniciativa privada correr livremente com tudo o que isso implica ou fuzilamos os especuladores e plutocratas? Quando chegarem a um consenso avisem-me…
« …aaah…aaah… e a imigração? pelo menos neste assunto há união!!!»
Há gente que ainda acredita no Pai Natal. Quando tudo falha, puxa-se a pièce de résistance da imigração. Então que imigração é que recusamos? Os PALOPS? Os Minho-Timorenses não iam gostar disso! Os Ucranianos? Já estou a ver os europeÃstas a gritarem! E como vamos estar unidos neste tema se agora até já existem uns iluminados que dizem que os imigrantes vieram para ficar (em Angola existia uma imigração de 500 anos, e em 1975 vieram de lá corridos a toque de caixa – para os imbecis que dizem que já não há nada a fazer)?
« Tá bem, tá bem… mas se não estivermos unidos não conseguimos fazer nada!»
Precisamente por estarmos « unidos» é que não conseguimos fazer nada! Como vamos trabalhar neste ou naquele tema se x diz alhos e y diz bugalhos? Deste modo a nossa acção está praticamente paralisada.
« Isso é conversa de quem nunca fez nada, e só sabe criticar, ao menos tens algo positivo a dizer?»
Realmente… estive aqui a dar as cacetadas e ainda não disse algo de construtivo, então aqui vai:
Em primeiro lugar temos de formar Homens e Mulheres dignos desse nome, tudo começa pela ética e pelo estilo (já pareço o Ramón Bau).
Em segundo lugar temos empreender a reconquista ideológica do « movimento» , quando os Militantes sabem aquilo porque lutam, tendo uma formação doutrinária sólida, as tibiezas, os desvios e as cisões serão muito mais raras. A alternativa é a estupidez galopante e as aberrações ideológicas a que temos vindo a assistir nos últimos tempos.
Em terceiro lugar muita gente tem de se convencer que os partidos e os resultados eleitorais são o menos importante. Como se alguma vez « eles» nos deixassem tomar o poder pela via eleitoral! CaÃram nessa asneira em 1933 e não a voltam a repetir!
A nossa missão é de passagem de testemunho aos outros, só quando as nossas ideias estiverem implantadas na sociedade é que poderemos avançar para a Revolução!