
por Pietrangelo Buttafuoco
Panorama, Milão
Os verdadeiros rebeldes, actualmente, são os jovens proletários de extrema-direita, com a sua rica cultura « não conformista» .
Habitar a utopia é uma coisa, viver a rebelião é uma outra. Uma coisa é o Leoncavallo, o « centro social» [estrutura auto-gerida de expressão polÃtica e artÃstica alternativa] histórico de Milão; uma outra, oposta, é a sigla OSA, de « Ocupação de com Fins Habitacionais» . Enquanto jovens utópicos deixam frequentemente atrás de si sólidos lares burgueses, os rebeldes fogem dos subúrbios sub-proletários para procurar habitação.
O radicalismo polÃtico derivado do pós-fascismo produziu em Itália um fenómeno difÃcil de catalogar, o da direita « não conformista» , um arquipélago de jovens reunidos pela música, a arte, a metapolÃtica, e que a grande imprensa – prisioneira de um antifascismo fácil e militante – nunca foi capaz de metabolizar.
O rebelde da ONC (outra sigla, para « Ocupação Não Conforme» ) é um miliciano da simplicidade e da eficácia; o centro « Casa Pound» , em Roma, principal bastião da rebelião, cede por vezes à poesia do vanguardismo mas oferece também a sua própria resposta à s exigências dos sem-abrigo, propondo empréstimos imobiliários sociais a juros « populares» [o Mutuo Sociale].
O mundo multiforme do activismo de direita, o dos fascistas com cabelos compridos, com os seus grupos de música, com a sua estética e linguagem « dura» , com o seu arsenal herdado do perÃodo dos Campo Hobbit [acampamentos de jovens radicais organizados no fim da década de 70] até aos mais recentes Campo Base, é um fermento explorado pela extrema-direita polÃtica, permanentemente em busca de renovação. As OSA e as ONC curto-circuitam os clichés habituais.
A Casa Pound, cujo nome é uma homenagem a Ezra Pound, o poeta americano dos Cantos, tornou-se um bastião da desobediência anti-mundialista e anti-capitalista. Qual não foi a surpresa dos habitantes do bairro romano de Parioli, principalmente imigrantes oriundos da Etiópia e Eritreia, quando souberam que a « Casa d’Italia Parioli» não era gerida por militantes da extrema-esquerda, mas sim por fascistas!
Utópicos e rebeldes: poderia reduzir-se a isto a diferença que separa os centros sociais de esquerda dos centros sociais de direita. Dos centros sociais de esquerda sairão provavelmente os futuros directores de jornais; dos centros sociais de direita sairão os rockers e os criativos « não conformes» . Para procurar cabeças prontas a incarnar a novidade, o terreno é rico e vasto na rebelião. A época da hegemonia cultural de esquerda terminou.
[cc] Novopress.info, 2008, Texto original cuja cópia e difusão são consideradas livres, desde que se mencione a fonte de origem [http://pt.novopress.info]