Yahoo, bufos ao serviço da repressão chinesa?
Os EUA lançaram recentemente uma investigação parlamentar para compreender as relações e compromissos entre a polÃcia chinesa e os responsávels pela Yahoo!
O inquérito, lançado por Tom Lantos, presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes dos EUA, deverá lançar luz sobre o papel desempenhado pela Yahoo, implicada na detenção de um « dissidente» chinês, entretanto condenado a uma pena de 10 anos.
Os parlamentares procuram também determinar se os responsáveis do motor de busca americano atenuaram o seu papel na detenção desse internauta chinês.
« Já é suficientemente vergonhoso que uma grande companhia norte-americana providencie voluntariamente à s forças policiais chinesas os meios de perseguir um homem encurralado pela repressão da China. Esconder esta prática miserável quando o Congresso exige uma explicação, é um assunto muito sério» , declarou Lantos.
« Para uma empresa pertencente à indústria de informação, Yahoo terá que responder por muitas práticas secretas» , completou Lantos.
Shi Tao, a vÃtima dissidente chinesa, de 38 anos, foi condenado em Abril de 2006, sobre o pretexto de ter difundido « segredos de Estado» . De facto,
havia publicado na net uma ordem do governo chinês, dirigida à imprensa, interditanto a comemoração do aniversário da repressão do movimento democrático da praça de Tiananmen [NT: Em Abril e Junho de 1989, 2600 a 3000 estudantes manifestaram-se e, de acordo com a Cruz Vermelha, foram todos mortos, vÃtimas da repressão militar].
De acordo com variadas fontes credÃveis, a polÃcia conseguiu deter este jornalista graças ao motor de busca Yahoo. Durante uma convocatória ao Congresso, em 2005, um vice-presidente da Yahho havia afirmado que a sua companhia havia divulgado os meios de identificação do dissidente « sem ter informação acerca da natureza do pedido» feito pela polÃcia chinesa.
Chefe de redacção de um jornal económico de Changsha, no Sul da China, Shi Tao, viu-se condenado em Abril de 2005 a 10 anos de prisão. A sua própria mãe milita para que a responsabilidade da Yahoo em todo o processo seja reconhecida.
Este dossier é particularmente revelador da censura e da repressão praticada actualmente pelo governo chinês. Desde a época do Império do Meio, a liberdade de expressão é na China uma palavra vazia – o que parece não demover os grandes grupos que, cada vez mais, aceitam as regras do governo para retirar lucro comercial do vasto mercado económico que é a China.